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9/3/2008

Maldita preguiça

Eu trabalho o ano inteiro
De janeiro a janeiro
E me canso de trabalhar
Algum motivo pra comemorar? Meu fiel companheiro Grilo Falante canta ao pé do ouvido tentando em vão despertar minha consciência. Quando vou ter vergonha na cara e atualizar as pendências? Maldita preguiça!  Como pobre mortal que sou, essa coisinha me dá uma moleza, uma falta de vontade, uma canseira. Tenho preguiça de pensar se isso faz bem ou não e sinto aquela preguiça de mandar a preguiça embora.
Misterioso é o som do grilo. Pode tudo estar quieto e mesmo assim sobra o seu cantar. Traz lembranças das noites quentes de verões antigos; do anoitecer e de tranquilidade.  Dá uma preguiça...
Ser preguiçoso é algo que pega mal em nossa sociedade. Parece vadiagem, falta de empenho, aversão ao trabalho, desvio de personalidade, pura sem-vergonhice. E é verdade. A formiga só trabalha porque não sabe cantar. Não sou formiga e desconfio dos chamados pró-ativos – expressão chatérrima mas tão na moda. O cara quando é habituado a mostrar que faz e corre e diz que diz e produz e tal, sempre atarefado, normalmente engana e na verdade não faz coisa alguma importante.
Fui mordido pelo tal bichinho da preguiça e fiquei mole, mole. Mas também, nem sei cantar. Ah, deixa pra lá. Fiquei com uma preguiça de registrar. Melhor dar atenção ao sábio Grilo e num ligeirão colocar o trabalho em ordem para não me incomodar.
Grilo Falante  Grilo Falante2
9/1/2008

Idéias esfomeadas

Eu um aprendiz de escritor brincando com as palavras e com a linguagem literária, possuidor de enorme apetite por comidas engordantes, agora tentando subtrair do corpinho alguns quilos e os medos imaginários. Assim, talvez me anime ainda mais a dividir este pequeno espaço virtual para multiplicar conhecimentos, refletir sobre a existência e a felicidade. Aqui no Diário, meu ambiente quase secreto onde as idéias saem tão confusas como eu, mesmo esfomeado pelo regime forçado, nunca serei totalmente infeliz.
Enquanto existirem coisas assim...
Nunca somente dor
Enquanto eu puder sentir a beleza
Nunca completamente só
Enquanto eu puder ser eu mesmo.

A Gula, dita como transgressão de preceito religioso e objeto de deboche em letras de músicas, também é tratada como desvio de comportamento, questão de cultura e educação. Quer dizer, reeducação alimentar. Pecado é exigir tanto de uma pobre criatura como eu. O velho Cícero já dizia que o melhor tempero da comida é a fome. E Garcia Márquez refere num de seus livros que não li que o amor é tão importante como a comida, mas não alimenta. O Robert Louis Stevenson - este eu li - disse que um homem com fome não é um homem livre.
Sexo emagrece. Vou te comer  t-o-d-i-n-h-a - frase atribuída ao Lobo Mau.

Você bota a mesa, eu como, eu como 
Eu como, eu como, eu como   
Você… (Caetano Veloso)

A Gula não é um vício secreto, pois todo mundo o percebe pelas gorduras e protuberâncias. O jeito é fechar a boca. Mesmo assim a comida tem sido a parte mais importante da minha dieta maluca e desbalanceada. O ditado popular diz que a gente é aquilo que você come. Então, atualmente,  eu estou vegetal, muito próximo de me transformar num pé de alface. Tem um Cara Exigente lá em cima que não gosta dos finais de semana e os faz sempre muito curtos. Faltam só cinco dias para a esperada sexta-feira.

"Você diz que sabe tudo?        
Vaga-lume sabe mais! 
Vaga-lume acende a bunda,     
Coisa que você não faz!"
Gardield em dieta
8/29/2008

A criança que ainda existe em mim

Acampar ou fazer aquela viagem inusitada e sem conforto: os legítimos programinhas de índios. Vontade de reencontrar o meu lado criança, de virar moleque novamente. Nem lembro da época em que não tinha muitas preocupações, quando tudo vinha com sabor de novidade e energia eu tinha de sobra, para dar e vender. Em algum canto da minha memória deve estar registrado o tempo em que eu era mais espontâneo, dizia o que sentia sem rodeios e me divertia horrores com coisas banais, como um carrinho de brinquedo ou um amontoado de bolinhas de gude. Será que essa criança ainda existe? Talvez um pouco escondida, um tanto ressabiada ou reprimida por conta das responsabilidades da vida adulta.
Será possível acordar o garoto que eu já fui um dia e viver com mais leveza e irreverência? Como despertar o lado mais bacana do universo infantil, o menininho doce e curioso, agora em forma de homem culto e versado em muitos saberes?
Vontade de empinar pandorga, dar um “pastelão na pasta do colega”, grudar nas costas do danado o aviso de “chute-me”. Banho de chuva. Banho de mangueira no quintal. Catar conchinhas na praia, fazer castelos de areia, observar as formigas sob o quentinho do sol, comer pitangas, rolar na grama. Inocência e frescor, brincadeira e leveza, corpo e emoção, curiosidade e criatividade, senso de aventura e liberdade. São estas coisas que garantem a felicidade. Não tem dinheiro no meio, não tem segurança e estabilidade, também não dependem nem de nada nem de ninguém. Muito menos de condições especiais, do trabalho, de pré-requisitos, ou de como a coisa deve ou não deve ser, essas manias de gente adulta.
Mas qual o quê! Tenho outras necessidades, compromissos e responsabilidades. Criei vínculos, travas, mordaças. Mas será que não dá mesmo para conciliar as duas coisas? Será que não dá para buscar mais leveza e frescor, espontaneidade e alegria ou aventura e irreverência em minha vida?
Fico aqui escrevendo para ninguém e parecendo tão infantil. E depois eu era aquela criaturinha tímida e sensível com o cobertorzinho na mão e o último a ser escolhido na hora do jogo de futebol; passado para trás pelos mais espertos, aquele menino que sempre preferiu seu mundo interno, a leitura, os sonhos e as paisagens da natureza.
Tudo isto para registrar que comprei o notebook de última geração. Definitivamente aceitei que já fui criança, pelo menos aquela que acredito ter sido um dia ou a que ficou registrada na minha psique. Verdadeiramente infantil. Bom, agora que redescobri como o  garoto era e ainda pode ser, vou divertir-me com o meu brinquedinho. Vou brincar, investindo no meu próprio sonho, mesmo com adaptações. Tão bom como tomar sorvete, jogar pingue-ponte ou brincar de esconde-esconde. E enquanto me divirto instalando os programas e personalizando a máquina, idéias surgem aos borbotões em minha mente, numa fonte insuspeita de vitalidade, intuição e abertura. Por isso é que nesta maravilhosa e bendita sexta-feira, vou chegar em casa com aquele sorrisão no rosto, louco para brincar e folgar. Mesmo fisicamente exausto e com fome por causa do regime que já me tirou cinco quilos dos tantos, a vida está me parecendo tão boa e generosa que dá vontade de realizar coisas, amar as pessoas e ser feliz.
Ser Feliz Sonhos
8/21/2008

Comprador Compulsivo

Estou de olho num novo notebook, ou melhor, computador portátil como acertadamente dizem os portugueses. E lá irão meus reais e o limite do cartão de crédito. Vamos ver até quando consigo resistir ao desejo consumista. Escrevo sobre isso porque realmente acho interessante. É diferente de quando escrevo algo com caráter profissional. Quer dizer, nem é interessante assim, mas vou com poesia no olhar, falando sobre absolutamente nada, a não ser minha vida, que passa pela janela sem roteiro, sem diálogos geniais, simplesmente a vida que me convida: compra ou não compra? Evito locais onde não me sinta bem, não choro por amor, não espio pelas frestas, não me entupo de nicotina e nem pego no sono em cima da mesa por beber demais. Outro dia foi a televisão. É, aquela, novíssima, tela grandona. Resisti o quanto pude, mas logo cedi. A vida e meu único vício de consumidor das maravilhas tecnológicas. Agora, tudo por causa de uma conexão hdmi. Encontros e desencontros e é uma boa surpresa descobrir que, afinal de contas, gosto de ser quem eu sou. E tudo parecerá sem graça se não colocar um pouco de poesia no olhar. Não quero ter o controle da situação. É responsabilidade demais. E se amanhã eu morrer atropelado ou vítima de fulminante ataque cardíaco? Tá, vou para o Céu, mas e daí? Posso levar meu computador e continuar o Blog? Lá tem notebook para vender? Vai que é mais caro que aqui. Se for para o Inferno o problema está resolvido, pois o Capeta deve entregar logo na entrada, gratuitamente, um moderníssimo equipamento aos novos moradores. Outra alternativa é mandar a Alice de volta para Israel e me apossar do super HP dela. Melhor esquecer por hoje e deixar nas mãos do destino.
 Comprador Compulsivo 3 Cosumidor Viciado
8/15/2008

Caprichos do pensamento

Olá Diário. Nos tempos de estudante eu era muito caxias e sempre estava preparado para as provas.  Confesso que, mesmo cansado, trabalhando de dia e estudando a noite,  experimentava uma ponta de satisfação ao perceber o ar de desespero dos colegas que não haviam se organizado nos estudos adequadamente. Era tão bom esperar os resultados com o sentimento do dever cumprido. Hoje sou menos cuidadoso, sem cautela e ando devagar, solto, deixando para amanhã o que poderia ter feito ontem. Lembrei disto ao ouvir o sermão de um pastor no qual ele dizia: “É tão bom ter as mãos limpas, o coração leve e a consciência tranquila pelo dever cumprido...”  Realmente, “ser limpo de mãos e puro de coração, não entregar a alma à vaidade, nem jurar enganosamente, são requisitos para subir ao monte do Senhor e estar em Seu lugar”. (Salmos 24:3–4). Claro que podem pensar que definitivamente fiquei doido e perdi a direção do bom senso. Pois que pensem. Sinto uma falta danada daquela pontinha de satisfação, de estar em dia com as obrigações e nada dever,  com a certeza do resultado satisfatório pelo preparo e estudos prévios.
Agora fazendo um desvio mais ou menos longo do assunto, um passeio através das palavras; subterfúgio para as costumeiras evasivas. Mas para alguns serve o chapéu. Se chegam até aqui,  evidente que têm o grande desejo de desvendar estas indiscrições blogueiras. Devem se perguntar: Serei eu o infeliz, seremos nós os desditosos que ele tanto censura? Basbaques; bisbilhoteiros. Gente burra e muito mesquinha com pensamento pequeno e mente fechada. Mais do que acreditar na natural perversidade das pessoas, temo que o verdadeiro problema esteja na arrogância dos evoluídos e avançados que não admitem que alguém possa ser diferente e bom. Juro que às vezes estou perto de dar pontapés nas bundas destes bundões que só pensam em ganhar dinheiro e poder. Fazer o quê? Resignação e conformidade não me faltam no meio do caminho. Não é desconfiança, é a incerteza de que os chutes nos fundilhos tenham serventia. Dá vontade de sentar, nem um passo à frente ou atrás e ficar quietinho dentro da caverna esperando o tempo passar. Para o quase eremita esquisito, “a solidão é fera, devora, é amiga das horas, prima-irmã do tempo  e faz o relógio  caminhar lento, causando um descompasso no meu coração”. (Alceu Valença, A Solidão). “E vão rindo, cantando, os homens marvados, empurrando e gritando, dando gargalhadas, e o gado coitado não pensa em nada, só vai pela estrada, vem berrando, vem berrando”. (Os Homens de Preto, Paulo Ruschell). E é como diz o poeta: “não me amarra dinheiro não, mas formosura; a pele escura; a carne dura, a elegância, a cultura, os mistérios, a beleza pura. Dinheiro Não!” (Caetano Veloso, Beleza Pura).

  O Profeta (Lucio Barbosa)
O dia vai chegar
estou me preparando porque antevi
No livro que lhe empresto
e você não aceita a verdade ali
Existe tanta gente por ai as tontas
sem se definir
Na hora da balança
O peso não alcança o que deve atingir
Hei Homem de Deus
Acorda é tempo ainda
Eis que teu tempo finda
Faz uma oração
Hei Homem de Deus
Deixa a incoerência
Em sua conferência
fale de perdão
Quem você não conhece é que vai conferir se você passa ou não
Esqueça o seu padrinho pois lá não tem carta de apresentação
O que vai influir é o bem que você fez ou deixou de fazer
Existe em cada estante um livro importante e você não quer ler
Quem sabe se o juiz não foi alvo de risos quando aqui passou
Sofrendo a indiferença, pagando tributos da classe ou da cor
Quem sabe se você não vai se ver chorando a mais tirana dor
E implorar baixinho aquela mesma ajuda que você negou
A vida é uma escola onde o viver é o livro e o tempo o professor
Onde alguns são sábios porém até hoje ninguém se formou
A única certeza é que o dia do acerto já está pra vir
Prepare a sua alma pois na hora certa você vai ouvir
O som de um instrumento que não se afina ao diapasão
Virá anunciando sem segundo aviso a hora da razão
Estou lhe reparando, estou lhe aconselhando porque quero ir
Você se nega a ler, erroneamente crê que a vida é só aqui

Então chegou a sonhada sexta-feira, dia de sair, comer pizza, de jantar fora, de passear com a família ou apenas ficar em casa navegando ou namorando. Sou da última opção. Ir ao mercado, fazer compras, dentre elas algumas porcarias e curtir a noite com a Sônia vendo um bom filme ou até a novela das oito na Globo. Hoje estou tendo algumas idéias para o blog e outra página que quero criar, quem sabe mudar o layout, as fotos (quanto tempo) e também começar a fazer coisas novas. Ficar enfiado dentro de um gabinete todo o santo dia e gozar o sol quando ele já está de partida não é ideal para uma merecida noite de repouso. Isto se consigo ver o Astro-Rei. Ao menos poderei esticar-me na chaise longue da sala com o controle remoto nas mãos, comer salgadinhos ou chocolate e, contrasenso, tomar refrigerante diet. Tenho tantas coisas a fazer em casa, só que mudou todo o esquema e vamos a uma bela Pousada,  em direção ao frio passear na Serra. Nada de preocupações. Sigam-me os bons.
Pensamento Caprichos
8/7/2008

O Astronauta de Mármore

Preciso colocar ordem em algumas coisas. Ando sumido, trabalhando que nem um condenado. Claro que não é igual a trabalho escravo, mas é como se fosse e não sou voluntário a nada. Sem hora para começar e muito menos para terminar, e com direito a hora-extra nos intervalos. Vai valer o esforço se eu sobreviver até a tão sonhada aposentadoria. Estou respirando, logo,  vivo, pelo menos por enquanto. Resolvi escrever, dar o ar da graça no Diário e marcar o ponto com as tranqueiras de sempre. E mais uma reunião maluca me aguarda. Então vou registrando aos poucos. Uma frase aqui, outra acolá. Hoje a noite Missa de Ação de Graças na PUC pela formatura da Alice. Direto para lá, pois não dá tempo de ir em casa, tomar banho, trocar a roupa e sair com as gurias. Amanhã um montão de penduricalhos e questões no serviço para resolver. Sexta no interior, três horas na ida e outra reunião maluca de trabalho e três horas na volta.  Tudo dando certo, chego às dezoito em casa. Sábado é a Formatura da Alice, cerimônia, jantar e festa com direito aos salamaleques de praxe. Nem fizemos as compras no supermercado. Será que acabou de acabar o papel higiênico? Tomara que a Sônia tenha se lembrado de comprar. De qualquer jeito só poderei usar depois da Igreja. Blog aberto. E nem fui na rua hoje. Já deve ter escurecido. Mulheres esquisitas as de casa. Como gostam de festa, roupas, cabelos, shoping, lojas, sapatos, dança.  Deu vontade de cortar o cabelo, mas tenho outras coisas para fazer. Corto amanhã ou depois. Ainda não surgiu nenhuma idéia útil para registrar. Será que preciso fazer a barba? Que saco. 18h15. Talvez a gente jante fora e lá se vai o milionésimo regime. A gente jante. Isto é porque a ortografia atual do português está muitas vezes relacionada com a forma ortográfica original, do latim, do grego e outras línguas mortíssimas. Solecismos sempre rimam e são tão bonitinhos. Melhor dizer “ver ele voltar” do que o chato padrão culto “vê-lo voltar”. Missa curtinha, churrascaria depois. Meia-noite. Chegamos a pouco e já liguei o computador. Bah! Eu não vou escanear agora o montão de fotos que a Alice me pede. Li os e-mails do dia e não respondi a nenhum. Cento e dois na caixa de entrada e cinqüenta e sete na do lixo eletrônico. Leitura dinâmica, passei os olhos por cima e dei cabo de todos em poucos minutos. É melhor assistir tevê e depois dormir.
Sempre estar lá e ver ele voltar   
não era mais o mesmo, mas estava em seu lugar            
sempre estar lá e ver ele voltar   
o tolo teme a noite como a noite vai temer o fogo
vou chorar sem medo    
vou lembrar do tempo    
de onde eu via o mundo azul...
(O Astronauta de Mármore - Nenhum de Nós)

Já é amanhã. Finalmente se aproxima o final desta semana demoooraaada. Meus filmes em downloads não terminam de baixar jeito nenhum. 11:14. Tem um filme, se não me engano, exatamente com o nome do horário de agora. Já assisti, mas não lembro da história. Tantos pedindo tanto. Haja cabeça. Como é que este povo consegue arrumar tantos problemas? Da minha parte, desligo o complicador e ligo o descomplicador ou as duas coisas juntas. Ficar frio e preparar um tranquilo final de semana que, pelo jeito, será ótimo para assistir filmes, fuçar nas minhas coisas e não fazer nada.

Astronauta tá sentindo falta da Terra?
Que falta que essa Terra te faz?
A gente aqui embaixo continua em guerra
Olhando aí pra lua implorando por paz
Então me diz: por que que você quer voltar?
Você não tá feliz onde você está?
Observando tudo a distância
Vendo como a Terra é pequenininha
Como é grande a nossa ignorância
E como a nossa vida é mesquinha
A gente aqui no bagaço, morrendo de cansaço
De tanto lutar por algum espaço
E você, com todo esse espaço na mão
Querendo voltar aqui pro chão?!
Ah não, meu irmão... qual é a tua?
Eu vou pro mundo da lua
Que é feito um motel
Aonde os deuses e deusas
Se abraçam e se beijam no céu
Ah não, meu irmão... qual é a tua?
Que bicho te mordeu aí na lua?
Fica por aí que é o melhor que cê faz
A vida por aqui tá difícil demais
Aqui no mundo, o negócio tá feio
Tá todo mundo feito cego em tiroteio
Olhando pro alto, procurando a salvação
Ou pelo menos uma orientação
Você já tá perto de Deus, astronauta
Então, me promete
Que pergunta pra ele as respostas
De todas as perguntas e manda pela internet
TiagoMiguel http: //olhares.aeiou.pt/utilizadores
É tanto progresso que eu me sinto criança
Essa vida de internauta me cansa
Astronauta, cê volta e me deixa dar uma volta na nave, passa a chave que eu tô de mudança
Seja bem-vindo, faça o favor
E toma conta do meu computador
Porque eu tô de mala pronta, tô de partida
E a passagem é só de ida
Tô preparado pra decolagem, vou seguir viagem, vou me desconectar
Porque eu já tô de saco cheio e não quero receber nenhum e-mail com notícia dessa merda de lugar
Eu vou pro mundo da lua
Que é feito um motel
Aonde os deuses e deusas
Se abraçam e se beijam no céu
Eu vou pra longe, onde não exista gravidade
Pra me livrar do peso da responsabilidade
De viver nesse planeta doente
E ter que achar a cura da cabeça e coração da gente
Chega de loucura, chega de tortura
Talvez aí no espaço ache alguma criatura inteligente
Aqui tem muita gente, mas eu só encontro solidão Ódio, mentira, ambição
Estrela por aí é o que não falta, astronauta
A Terra é um planeta em extinção
Eu vou pro mundo da lua
Que é feito um motel
Aonde os deuses e deusas
Se abraçam e se beijam no céu
Espaço Sideral Universo Espaço
7/30/2008

Etiqueta para tempos sombrios

Sigo fechado num quarto durante boa parte do tempo, a explorar objetos e escrever frases curtas, tentando o ofício fugidio de transformar um castigo em diversão. Tantos anos estudando ou trabalhando e o que aprendi, se é que aprendi alguma coisa? Vou olhar pela janela,  comentar fatos estranhos e adotar definitivamente a filosofia do Garfield: - “Todos ficamos mais pesados à medida que envelhecemos porque  há muito mais informações em nossas cabeças. Então eu não sou gordo, sou de fato inteligente, e minha cabeça já não tem mais espaço, por isso começou a encher o resto do meu corpo.”
O Obama misterioso, o MacCain esquisito, a Amazônia ameaçada, o petróleo que não pára de subir, o MST, a corrupção, os tarados, a inflação, a saúde, a segurança, aaaaa… tantas merdas… o que falta para resolver tudo isso e mais além? Os aeróstatos. Cara idiota o padre do balão… O rumo, Alceu, o rumo… Lembrando que o correto é “para eu fazer”, e não “para mim fazer”.
Ironizar as pessoas que transformam os animais de estimação nos “donos da casa”. Gente que come e dorme com o cãozinho, com o gatinho. Pior, mostrando toda educação, finesse e etiqueta para tempos sombrios, juntam o cocô dos bichos com as mãos! Meu Deus, que nojo! E ainda se julgam chiques, caminhando na rua com um saquinho para juntar a bosta. Por isso volto com o gato laranja listrado atuando como homem,  inclusive andando em duas patas e enfrentando problemas humanos: dieta, tédio, aversão às segundas-feiras, preguiça, gula, amante de televisão, sarcástico e sofrendo de ataques de sono. Eu, em tudo igual a ele, resmungão, gosto de lasanha e café,  vez ou outra não tenho o que fazer e fico olhando para o teto, filosofando ou escrevendo besteiras no Blog com um humor um tanto quanto fora do padrão.
Garfield  Garfield2
7/8/2008

Livre pensar é só pensar

Esta maldita tela em branco… e nada. É duro quando preciso escrever e a inspiração não aparece. Nenhuma idéia, frase, nada... Apenas o vazio até surgir a primeira palavra, primeira linha. Deu Branco! O que fazer com tal bloqueio psicológico? Putz! Preciso aprontar alguns trabalhos. Cadê a vontade? Vou aqui registrando sem rumo e talvez minha cuca “pegue no tranco” e do nada absoluto brote uma idéia que preste. Já passou da hora de ajeitar este blog. Ficou tão lugar comum. As cores e o leiaute precisam ser modificados.
E quando acabar o maluco sou eu. Tanta estrela por aí.  Como estou me tornando um velho ranzinza e resmunguento, a parte mais difícil é escolher o que mais me irrita. Navegava, encontrei uma crítica ao “Toca Raul”, li o texto e não resisti. Então lá vai: Eita mau humor danado. Não se leve tão a sério. Não sendo recital de música erudita o “Toca Raul” sempre cai bem. Vivaldido, como tantos outros, o Baleiro até aproveitou para faturar com o negócio. Viu como ele é tãooooo bonzinho que até ofertou filantropicamente sua musiquinha para download? Antes de ofensa ou falta de educação, considero sempre como um elogio ao artista no palco. Quem sabe ele toca rauzito.  Por essa e outras que “ Toca Raul!” é um meme que deverá perdurar ainda, por tempo indefinido.
De perto ninguém é perfeito. De longe, então, nem se fala, pois menos o olho vê. Tem uma coisa que acho fundamental no ser humano: a capacidade de ouvir a si próprio. Custei a aprender. Se eu que sou burro aprendi, meus queridos semelhantes que se acham mais inteligentes, também podem. Mesmo assim metem os pés pelas mãos e falam coisas que não deveriam. O silêncio às vezes é tão bom. Livre pensador é aquele que analisa o que o rodeia à base do seu próprio
raciocínio, sem se deixar influenciar, dentro do possível, por correntes alheias nem idéias preconcebidas. Eu gosto de me enquadrar como amigo do livre pensar, porém percebo que minhas idéias não são próprias, e sim resultantes do aprendizado geral e da influência de milhares de outros que já tiveram as mesmíssimas idéias. Nada de originalidade, porém não penso segundo a opinião dos outros. Penso o que aprendi a pensar, o que a vida me levou a pensar, com todos os meus muitos erros e poucos acertos. Ou será o contrário? Está aí um nome legal para a home page. Gosto de pensar que sou livre para pensar. Algum descompromissado já disse alguma vez - “Livre pensar é só pensar”. (Cecília Meireles, em Romanceira da Inconfidência)
"Liberdade, essa palavra
que o sonho humano alimenta
que não há ninguém que explique
e ninguém que não entenda."
O Sistema não permite que ela seja limitada e parcial. Liberdade é ter entre duas alternativas a opção de uma ou de que outra, assumindo-se a responsabilidade,  por isso tanta gente tem medo dela. Não se trata de repudiar a sociedade por causa da amarração das leis, regras e regulamentos, nem de livrar-me das restrições que me são impostas. Olha só, como livre pensador estou tão prisioneiro dos padrões, da época e dos costumes. A liberdade é irmã da solidão, prima da distante democracia. Poema de Fernando Pessoa traz o relato libertador de tudo, dos deveres, dos livros, da sociedade - ser criança - mas é apenas uma ironia e um contra-senso propositado.
Liberdade
Ai que prazer
não cumprir um dever.
Ter um livro para ler
e não o fazer!
Ler é maçada,
estudar é nada.
O sol doira sem literatura.
O rio corre bem ou mal,
sem lição original.
E a brisa, essa, de tão naturalmente
mtinal como tem tempo,
não tem pressa... 
 

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma. 

Quanto melhor é quando há bruma.
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não! 

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol que peca
Só quando, em vez de criar, seca. 

E mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças,
Nem consta que tivesse biblioteca...

Smurf1 Smurf Ranzinha
6/22/2008

Frago a passarinho

É frango a passarinho. Quem diz frango à passarinha não entende de português. O que é uma bobagem, já que não é necessário saber escrever para cozinhar. Neste tipo de prato, o frango é cortado em pedaços pequenos, de modo a simular mais ou menos o formato de um passarinho inteiro. Uma imitação do tempo em que nossos bisavós comiam imensas passarinhadas, feitas com pássaros reais, prato politicamente incorreto e muito apreciado nas zonas de colonização italiana. Sem demagogias, como sou certinho, já comuniquei a patroa da intenção de assar ao meu gosto o pobre frango a passarinho e bem pururuca. Faço também o molho. Massa, queijo ralado e polenta e não precisa mais nada. Eu compito. Eu adequo, tu adequas. Eu cri; tu freges, eu remedeio, eu coloro. Repito, repetes, repete; compito, competes, compete. Certo. Mas o que me encuca mesmo, e ninguém até agora soube me explicar, é porque as pessoas que recebem montes de dinheiro na sua conta bancária, quase sempre sem o saber, se chamam laranjas? E agora tem o tal de Roráima que o pessoal da Globo tanto gosta de pronunciar. Sempre disse Rorâima mesmo. Deve ser mais ou menos como o mas e mãs. Eu falo bánana. O Caetano Veloso fala bânana. Talvez seja mais poético. É só para postar, pois já estava escrito e foi comido no sábado mesmo.
Frango Frango2
6/19/2008

Como é teu nome?

E quando olho para um rosto e, apesar dele me parecer familiar, não o identifico. Daí é fazer o que se deve fazer nessas horas, sem culpa ou vergonha: Como é o teu nome? Paga-se o mico. Estou aprendendo a usar genuinamente algumas palavras que  sempre me soaram corrompidas de tanto lê-las em e-mails e ouví-las de vendedoras de lojas, secretárias e demais pessoas que dizem “querida”, “querido”, “beijo”, “beijos”, “abraço”, “abraços”; tudo para fazerem-se íntimas sem nenhuma intimidade chantageando nossa carência. Palavras corrompídissimas que quase perdem o significado.
Durante um tempo comecei meus textos com um “Salve Gente Boa”. Ridículo. Conheço um  jornalista e escritor que iniciava suas crônicas com a conjunção “Pois” e terminava com a frase: “Pensem nisto, enquanto eu lhes digo até amanhã”. Anda sumido. Será que morreu? Aliás é dele um texto muito bacana da década de 80 publicado no Jornal Folha da Tarde, de Porto Alegre e que circulou na internet com o titulo “Desejo” e autoria equivocadamente atribuída ora à Victor Hugo, ora à Monteiro Lobato ou à Mario Vargas Llosa - coisa das pulhas virtuais – tem gente que cai no conto e passa adiante aumentando outro tanto.
Os votos
(Sérgio Jockyman)
“Pois, desejo primeiro que você ame e que amando, seja também amado, e que se não o for, seja breve em esquecer e esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo depois que não seja só, mas que se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos e que, mesmo maus e inconseqüentes, sejam corajosos e fiéis, e que em pelo menos um deles você possa confiar, que confiando, não duvide de sua confiança. E porque a vida é assim, desejo ainda que você tenha inimigos, nem muitos nem poucos, mas na medida exata para que, algumas vezes, você se interpele a respeito de suas próprias certezas e que entre eles haja pelo menos um que seja justo, para que você não se sinta demasiadamente seguro.
Desejo, depois, que você seja útil, não insubstituivelmente útil, mas razoavelmente útil. E que nos maus momentos, quando não restar mais nada, essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante, não com os que erram pouco, porque isso é fácil, mas com aqueles que erram muito e irremediavelmente, e que essa tolerância não se transforme em aplauso nem em permissividade, para que assim fazendo um bom uso dela, você dê também um exemplo para os outros.
Desejo que você, sendo jovem, não amadureça depressa demais e que, sendo maduro, não insista em rejuvenescer e que, sendo velho, não se dedique a desesperar. Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e é preciso deixar que eles escorram dentro de nós.
Desejo, por sinal, que você seja triste, mas não o ano todo, nem em um mês e muito menos numa semana, mas apenas por um dia. Mas que nesse dia de tristeza, você descubra que o riso diário é bom, o riso habitual é insosso e o riso constante é insano.         Desejo que você descubra com o máximo de urgência, acima e a despeito de tudo, talvez agora mesmo, mas se for impossível, amanhã de manhã, que existem oprimidos, injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta porque seu pai aceitou conviver com eles. E que eles continuarão à volta de seus filhos, se você achar a convivência inevitável.
Desejo ainda que você afague um gato, que alimente um cão e ouça pelo menos um joão-de-barro erguer triunfante o seu canto matinal, porque assim você se sentirá bem por nada.
Desejo também que você plante uma semente, por mais ridícula que seja, e acompanhe o seu crescimento dia-a-dia, para que você saiba de quantas muitas vidas é feita uma árvore.
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro, porque é preciso ser prático. E que, pelo menos uma vez por ano, você ponha uma porção dele na sua frente e diga: Isso é meu. Só para que fique bem claro quem é dono de quem.
Desejo ainda que você seja frugal, não inteiramente frugal, não obcecadamente frugal, mas apenas usualmente frugal. Mas que esse frugalismo não impeça você de abusar quando o abuso se impõe.
Desejo também que nenhum dos seus afetos morra, por ele e por você. Mas que se morrer, você possa chorar sem se culpar e sofrer sem se lamentar.
Desejo, por fim, que sendo mulher você tenha um bom homem, e que sendo homem, tenha uma boa mulher.
E que se amem hoje, amanhã, depois, no dia seguinte, mais uma vez, e novamente, de agora até o próximo ano acabar, e que quando estiverem exaustos e sorridentes, ainda tenham amor para recomeçar.
E se isso acontecer, não tenho mais nada para desejar.”
Porto Alegre Panorâmica

Plantando vento

Pessoas que se consideram melhores e que gostam de ostentar aos outros a riqueza a cultura ou conhecimentos que não possuem, me enervam. Ao invés da reação comum de inveja e maledicência, nada como considerar o real valor da infeliz e ignorar o seu estrelismo. Sempre vou imaginar que na testa dela está escrito: “preciso ser assim para sobreviver”. Entendo, por fim, que isso é problema dela, não meu. E tem aquelas que me enervam com o seu individualismo. Nada como um dia depois do outro. Só uma questão de tempo para ver no que vai dar. Eu acredito piamente na Lei da Semeadura. Claro que sim. Tudo aquilo que se faz, seja com intuito bom ou não, terá sua correspondente reação. E faz sentido, nada como um dia após o outro, portanto, tento acertar com as escolhas e ações de hoje. Plantou o bem, colhe o bem, plantou a maldade, esperar o quê? Resumindo: quem planta vento colhe tempestade e não demora muito não. Bah! Tudo que eu levar a sério demais torna-se amargo. Xô, azedume. Então, vou descomplicar, apagar da mente e desdizer o que disse antes. Oba! E já é quase sexta-feira.
Tempestade1 Tempestade2
6/17/2008

Nas galáxias

Dias chatos e um frio danado com geada pela manhã. Vontade de ficar em casa embaixo do cobertor assistindo televisão.  Final de semana com festa à fantasia. Eu, heim!  Nem na minha infância. Esse negócio de dançar não é comigo.  Eu fico fora, só olhando. Há quem diga que dançar é uma frustação vertical de um desejo horizontal. Brincadeiras à parte, vestir fantasia pode ser a exteriorização de algum desejo oculto. Fantasias só eróticas. E olhe lá. Bom mesmo foi o show do cover do Queen no sábado. Na segunda o vidro traseiro do carro quebrado por causa de uma manobra mal feita. E ainda tem hoje-fera, a quarta-fera, a quinta-fera e a sexta-fera.
É Diário, não sou herói de nada, então diferentemente do resto, posso sair correndo. Logo, logo vou fazer algumas alterações aqui. Tudo para falar na tal da floresta amazônica que, afinal de contas, nunca foi nossa coisíssima nenhuma. Mas vou deixar o importante comentário para logo em outra hora, pois estou muito cansado e com a cuca nas galáxias. Na falta de algo mais interessante o registro é apenas para marcar presença. Logo é bem mais tempo do que dentro em breve e muito mais do que daqui a pouco. É tão indeterminado que pode até levar séculos. Logo chegaremos a outras galáxias, por exemplo. Mas logo eu? Isto é, tô fora.
Geada Geada2 Geada3 Geada4
6/12/2008

Uma delícia

Não chega a ser um lanche. Tem quase 500 calorias e custa um real cada. Ninguém merece: caldo de cana e pastel. Tá, eu sei que é o fino do brega, engorda e faz crescer. Cafonérrimo. Tem gente que fica arrepiada só de pensar. Mas é que não dá para resistir a dupla. Então, sempre que passo nas bancas da Praça XV é fome na certa e o pastel frito e o caldo de cana caem no estômago direto. Maldita dobradinha inimiga da balança e do colesterol. Não sou de ferro. Que culpa tenho eu me diga amigo meu?
Vivo condenado a fazer o que não quero
De tão bem comportado às vezes me desespero
Se faço alguma coisa sempre alguém vem me dizer
Que isso ou aquilo não se deve fazer
Restam meus botões, já não sei mais o que é certo
Como vou saber o que devo fazer
Que culpa tenho eu me diga amigo meu
Será que tudo que eu gosto é ilegal é imoral ou engorda?
Há muito me perdi entre mil filosofias
Virei homem calado e até desconfiado
Procuro andar direito ter os pés no chão
Mas certas coisas sempre me chamam atenção
Cá com meus botões, bolas eu não sou de ferro
Paro pra pensar, mas não posso mudar
Que culpa tenho eu me diga amigo meu
Será que tudo que eu gosto é ilegal é imoral ou engorda?
(Robero e Erasmo Carlos)
Plena quinta-fera. Como sempre às 7 da madrugada, já acordado com os beijos carinhosos da minha cara-metade na tpm. Como cheguei aqui? Impossível dirigir tanto e não lembrar dos caminhos,  do céu e das cores. Autômato, de manhã não sou ninguém e tenho aquele resto de sono no rosto e no pensamento que nunca consigo tirar. E nem olhei para o céu. Aqui na minha sala sem janelas e temperatura controlada  não sei se chove ou faz sol; céu de brigadeiro ou nublado, frio ou calor? Vou lá olhar. … - Azul. Frio lá fora. Às vezes acho que tudo em mim é exagerado. Quem me conhece tem certeza. Tá bom, atualizando tudo de vez, aí vou eu! Tem uma coisa que eu quero registrar: estou bastante feliz com o Blog. Pronto.
Caldo de Cana Caldo de Cana e Pastel
6/9/2008

Falta de tempo

Quase não achei tempo pra escrever esse texto. Final de noite. Inicio de mais uma semana, então vou com calma e sem estresse. Segunda-feira com chuva.  Nem tanto ao mar nem tanto à terra.Se praticasse todas as minhas esquisitices meu mundo se tornaria uma balbúrdia inconseqüente. Vou ficar um tempo comigo mesmo para acertar os ponteiros, organizar meus trabalhos e arquivos, refletir um pouco. Tenho tanta coisa para ler, tantos filmes para assistir, tanta coisa para fazer.  Cadê o tempo? Essa terrível falta de tempo domina a minha vida. Será que é só uma perfeita desculpa para me esconder e me esquivar dos compromissos? É assim com todos? Eu acredito nela e me parece perfeita e natural. O tempo vai passando com a mesma velocidade que sempre passou. Mas parece que cada vez ele passa mais rápido. Estranho escrever sobre o tempo, enquanto ele passa. E passa, e passa… E passou. Deixo o tempo passar, e ele, inexoravelmente, leva meu tempo. Três da madrugada... é melhor eu dormir.

O Tempo

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.

Quando se vê, já são seis horas…
Quando se vê, já é sexta-feira…
Quando se vê, já terminou o ano..
Quando se vê, passaram-se 50 anos…

Agora, é tarde demais para ser reprovado.

Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo...
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará. (Mário Quintana)

Tempo9 Tempo e Livro

6/5/2008

Meu mundo é azul

Relendo o Blog digo que precisava de um revisor para corrigir meus escritos. Bah! Quanta coisa errada. Grande coisa. Lá vou outra vez. Semana complicada com muitas atividades no serviço. Faço várias tarefas concomitantemente. São as consultas pessoais e por telefone, as petições à Justiça, os pareceres que eram para ontem, as anotações para os registros no Querido Diário, as pesquisas sistemáticas na Internet, contas para pagar, e-mails e o messenger para responder. Um amarração com nós de pescador que só eu consigo entender e desatar. Tudo ao mesmo tempo, num sistema admiravelmente novo, moderno e incrivelmente lento. O pessoal deve estranhar minha azáfema no computador, mas é assim que trabalho e produzo. Em casa, a noite e longe da agitação, com a liberdade da conexão ultra rápida, máquinas potentes e softwares adequados, fica bem mais fácil. Claro que no serviço não são possíveis as mesmas facilidades domésticas. Aliás, sempre produzi melhor a noite e sob pressão,  sou melhor ainda. Deixo tudo para a última hora do último dia. Quando é que vou mudar? É a inversão das prioridades.

Sempre fico seduzido de corpo e alma, com um desejo desmedido de adquirir parafernálias eletrônicas de última geração que custam os olhos da cara. Se eu fosse rico seria, com prazer, refém da riqueza e completamente alienado da realidade. Rico