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Afinal de Contas

Um diário para falar do dia-a-dia e compartilhar pensamentos.
6/24/2009

Só Por Hoje

Lista das coisas que não se deve fazer depois dos 52 anos? Eu ia começar com as drogas (álcool e tabaco). Nada mais patético um cinquentão que tenta pagar suas contas em dias, bêbedo e fedendo a alcatrão e nicotina. Meu Deus, como sou antigo, de onde eu fui tirar ‘bêbedo' e 'alcatrão'?

Ela entendeu tudo errado, ela sempre, sempre entende tudo errado e aumenta tudo na décima potência. Vê sinais onde não há sinais e pisa na jaca com seus lindos pés, estes um sensual espetáculo a parte.

É que hoje é recém terça-feira. E estas últimas semanas não foram tão fáceis quanto achei que seriam. E, de muitas formas, eu, que não tenho como orquestrar a morte dos ricos malvados e poderosos, ou ser aclamado por tropas, drenar lagos e erguer símbolos e monumentos de concreto e cinza vulcânica, precisava me lembrar que sim, há sempre alguma benevolência inspirada pela infelicidade ou mal alheio, tanto para o bem quanto o mal. E que são possíveis mudanças, assim como são certos os erros. E que, de muitas formas, são possíveis os recomeços.

Hoje, se me perguntassem onde eu gostaria de viver se, tempo, dor, dinheiro e governo não fossem problemas, eu não saberia responder.

Hoje simplesmente não sei. Eu não sei dizer se gosto do fundo da caverna, casa, apartamento, se de campo, se de mar, se de um resort, de um submarino, do castelo prometido pela revista ou de um sobrado em bairro chique.

Hoje não gosto de nada e não quero ir a lugar nenhum, talvez porque eu e meu coração não estamos no mesmo lugar.

E quando foi quando foi que tive meu coração e a mim no mesmo espaço, no mesmo mundo? Só quando pude, só quando pude, só quando pude encostar meu ombro ao seu, olhar na mesma direção, beber suas palavras, aprender seus códigos, entender suas piadas, olhar a vida através de suas lentes, cantar as suas notas, viver os seus sonhos e inventariar suas sardas, encantado com seu corpo, meu bem, meu bem, meu bem.

 

6/12/2009

Tempos

Entre outras coisas eu gosto de escrever, a maioria das vezes bobagens e temas absolutamente irrelevantes para o futuro da humanidade, mas que também não devem causar malefício algum ao próximo. Ouvi falar em fim do mundo.  Coisa muitíssimo interessante que transcende em importância qualquer outro tema, já que com ele, evidentemente, tudo termina. Não existe catástrofe maior – embora alguns a vejam como algo benigno, uma preparação para a segunda vinda de Cristo. Se acontecer, que seja assim e que eu esteja lá para conferir. Mesmo com essa conotação positiva, fim de mundo é fim de mundo, não há como negar. Eu não me preocupo.  Não existe nenhuma comprovação científica sobre a possibilidade de se prever o futuro; nenhum profeta prevê o fim dos tempos de forma clara e com nome, dia e hora marcados. São sempre profecias vagas que requerem algum tipo de interpretação visionária. Os escritos que tratam sobre o assunto, inclusive o Apocalipse de São João, na Bíblia, são ininteligíveis para simples mortais e aceitam qualquer interpretação ao gosto do freguês.

Interessante mesmo é que “a juventude não quer aprender mais nada, a ciência está em decadência, o mundo inteiro caminha de cabeça para baixo, cegos conduzem outros cegos e os fazem precipitarem-se nos abismos, os pássaros se lançam antes de alçar vôo, o asno toca lira, os bois dançam" (Umberto Eco - O Nome da Rosa, página 25). Daí que acontece o que acontece e que tanto me causa indignação. Nem sei por que escrevi sobre isto. Que perda de tempo. Dentro do contexto fim-de-mundista, quem como eu gosta de sofrer por antecedência, pode pesquisar pelas Profecias de São Malaquias ou então buscar no Google zilhões de informações sobre o assunto.


Eu conheço bem a fonte
Que desce daquele monte
Nessa fonte tá escondida
O segredo dessa vida
Êta fonte mais estranha
Que desce pela montanha
Sei que não podia ser mais bela
Que os céus e a terra bebem dela
Sei que são caudalosas as correntes
Que regam céus, infernos
Regam gentes
Aqui se está chamando as criaturas
Que desta água se fartam mesmo às escuras
Ainda que seja de noite
Porque ainda é de noite
No dia claro desta noite

(Raul Seixas e Paulo Coelho)

 

6/10/2009

Um dia de cada vez

Um final de semana quase feriadão para passear, assistir televisão, fuçar no computador, fazer amor, escrever, não necessariamente nesta ordem. Enfim tantas coisas melhores para fazer do que estar enfiado num escritório, que mais parece uma garagem, a ver as caras macambúzias dos meus colegas que certamente partilham do mesmo sentimento que eu. E eu até gosto de trabalhar, de manter a mente ocupada com coisas agradáveis. Só não quero parecer uma daquelas pessoas que à segunda-feira de manhã pensa: - Socorro, não quero levantar-me da cama.  Não, pelo contrário, seria ótimo acordar e pensar: - Ora vamos, mais uma semana de trabalho. Mas (e tudo na vida tem um mas), quero tudo menos trabalhar e quando digo tudo é tudo mesmo. Pura preguiça ou ando cansado da labuta e de querer ajudar e querer consertar o que não tem conserto. Estou sempre tentando mudar a direção do trem. Só peço ao Poder Superior que me auxilie a levar a vida, um dia de cada vez, vivendo e deixando viver.

 

6/9/2009

Amor Próprio

Que fique bem claro que não estou reclamando. Algumas pessoas não gostam dos textos imensos que escrevo, outras reclamam que não escrevo muito. Existe um terceiro grupo, mais exigente, que acha uma chatice eu reclamar da vida, expondo uma suposta baixa auto-estima, debochando de tudo e de todos. Assim, hoje faço um post de tamanho necessário, falando de amenidades, lamentando só um pouquinho para não perder a prática, dizendo, como sempre, absolutamente nada digno de nota. Será que vou agradar Gregos e Troianos? A ilha de Thomas Morus e os mundos ideais propostos ao longo dos séculos; os reflexos e previsões sobre o progresso humano. Trabalho, trabalho, e mais trabalho. A gente tem que trabalhar, tem que ser bem-sucedido, tem que obter mais dinheiro, tem que ser respeitado pelos colegas, tem e tem. Essa necessidade de ser o cabeça, o líder, o provedor, o exemplo, enfim, aquele que sabe tudo, às vezes é um saco, principalmente quando temos a dificuldade em alcançar pelo menos um desses objetivos. Sucesso é a palavra chave do momento. Sem ele aparece aquela sensação de que não se está fazendo tudo aquilo que as pessoas esperam que façamos. Mas as pessoas que vão se cagar, pois não pagam as minhas contas e nem vivem as minhas alegrias ou tristezas. Melhor é levar com mais vagar o dia-a-dia e não me preocupar tanto com o trabalho. Afinal de Contas a formiga só trabalha porque não sabe cantar e eu sei cantar e é tanta coisa no cardápio que nem sei o que vou comer.

 

6/7/2009

Bem Gostosa

Que legal! Bem gostosa de quem eu recebi, só para me lembrar que ela também sabe fazer alguns versinhos.
Quem ama cuida.
Quem ama protege.
Quem ama preserva.
Quem ama não fere.
Quem ama defende.
Quem ama escuta.
Quem ama luta.
Quem ama... ama... ama.
 
6/4/2009

Do Meu Amor eu falo

Já estamos em junho! Bom, como não consigo nunca ficar quieto e muito menos resistir em registrar, escrevo outra vez. Não eu não vou apagar Afinal de Contas, afinal de contas, do meu amor eu falo.


Hoje eu vou ficar quieto,
Não adianta insistir.
Eu não bebo e não fumo.
Tem gente maluca
Me apurrinhando,
Enxendo o meu saco.
Hoje eu estou de vara curta,
Mas vou ficar no meu buraco.
E nem vou falar que faz frio,
Mas só do que eu digo agora
E aqui neste momento lembro
Do meu Amor pela Soninha Beatriz.
te amei no passado

te amo no presente,

se o futuro permitir

te amarei eternamente

 

6/1/2009

Estudos Legais: Azul da Cor do Mar

Fico a sonhar escrever um poema
e falar do mar, do outro lado das ondas.
Idéias para as palavras?

Água e vontade — Vida!
Azul —  Cor da inocência.

Sinto falta do mar.

Encanto-me pelo mar, imenso e belo.

Não o alcanço com um simples olhar.

Fica a  sensação de nele me perder e

e obter a guarida que, por vezes, me falta

Elementos essenciais sempre em tons azuis:

O mar, o céu,  as águas, os sonhos!

A serenidade que tanto preciso.


Só para registrar, lembrando que preciso colocar em ordem as ideias e a nova página o mais breve possível.

 

5/20/2009

Dia dos Namorados

Como eu sou um cabeça tonta, não posso esquecer que se aproxima o Dia dos Namorados. Melhor comprar o presente logo e deixar prontinho o cartão. Como disse antes, eu e a Sônia não desgrudamos, igual música que não sai da cabeça.

Mudando de assunto, sinto saudades de outras épocas, passadas ou futuras que sequer vivi. Mas eu gosto da minha idade apesar de não senti-la de verdade, nem física e nem interiormente. O que modificou foi a aparência, pois os cabelos grisalhos e alguns quilos extras acabam por me entregar. Às vezes pareço o que me sinto, um moleque, no sentido de que não sei deixar de ser criança boa parte do tempo. E isso não é porque eu goste do Pato Donald e da Mad (tenho todas). Tem mais a ver com meu estado de espírito. Então, talvez, eu só pareço adulto e disfarço um pouco a minha criancice. E talvez por isso eu nunca tenha conseguido me ajustar ao estereótipo do homem garanhão, que bebe cerveja, gritando para a TV, enquanto assiste futebol. Foi um desastre quando era a moda e tentei entrar para esta turma. Porque no fundo estou apenas em uma infância autocontida (tem hífen?) e, diferentemente do outro grupo, embora hoje não tão assíduo por conta do excesso de trabalho, sempre que posso , ainda jogo uma boa partida de futebol na base da brincadeira com alguns companheiros. Também tenho dificuldades em usar terno e gravata. E, quando uso, talvez pareça mais um garoto... de terno e gravata. Acho que não convenço muito. E gosto de ser assim. Sei ser adulto quando a necessidade pede, e não estou falando de ir ao banheiro. Penso que dá para falar sério e cuidar de assuntos sérios mesmo sendo um Peter Pan. Uma vantagem por ser assim, é o fato de que me dou bem com crianças de qualquer idade, e consigo conversar com elas de igual para igual, na própria linguagem delas. No mais,  ter só um pouco mais de 50 anos faz que eu tenha muito o que escrever por muitos e muitos anos, sem me preocupar com o que pensem a respeito.

 

5/19/2009

Pensamentos Fragmentados

Depois de tantos dias sem postar chego para dizer no Querido Diário, fragmentadamente, que as causas do afastamento foram o desleixo, a preguiça, a falta de oportunidades e muito trabalho mesmo. Então vou atualizar meus últimos pensamentos brilhantes, sem preocupações de lembrar do lado belo, positivo e transformador da vida. Até eu fico sem paciência de reler e corrigir os textos, pois sei que já usei este espaço para várias despedidas. Desde 2006 já troquei tantas coisas, já fiz tantas mudanças. Agora resolvi dizer ao mundo que tenho uma página pessoal. Pronto! Espanto e surpresa geral. Quanta pretensão, seu Alceu.
E eu e a Sônia? A gente não desgruda, igual música que não sai da cabeça.
Certa manhã de segunda-feira de hoje que já é terça-feira na cidade de Porto Alegre e percebo que a crise econômica está aí e a maioria das empresas tenta resolver isso com demissões e redução de salários. O que se pode fazer? Diz o ditado que a mentira tem pernas curtas, mas tem gente que insiste na arte da cascata e ainda engana muitos incautos. Dos mentirosos inofensivos aos mais perigosos, não dá para acreditar nestas figuras. Todo mundo sabe que a vida nas empresas é cheia de reuniões chatas, intermináveis e sem propósitos, gente que quer passar a perna nos colegas, administradores incompetentes, comida ruim no restaurante, café horrível, mais reuniões chatas, intermináveis e sem propósitos, o medo constante de cortes e burocracias inúteis. Tem algum lugar melhor para ser sacaneado? Estão aproveitando a suposta crise para fazer reengenharia.
Administrar minhas esperanças e perspectivas diante da vida pode ser uma boa forma de lidar com as frustrações que invariavelmente surgem pelo caminho. Bem, o pecado mora ao lado. A compulsão é um mal moderno. Mais informação, mais prazer, mais atenção, mais trabalho. Essas são algumas autocobranças consideradas normais na atualidade globalizada e naturalmente repressiva. Na verdade busca-se o alívio das tensões emocionais e a resposta é o desconforto seguido de forte angústia.
Um olhar sobre as palavras e existe alguma mais bacana do que fluxograma? Pura elegância em sua simplicidade. Como Einstein dizia que tudo era relativo, resolvi pensar nessa questão de outra perspectiva, pois algumas mulheres da alta sociedade me lembram exatamente fluxogramas. Em que diabos elas pensam quando fazem as porcarias de botox e se mumificam?
E as constantes pressões e mudanças profissionais e suas consequências para a saúde e o bem estar da gente? O estresse detona o sistema de imunidade de qualquer um. Então é aguardar a tal gripe do porco e a outra que não lembro o nome. Vá se entender as razões do inconsciente para os meus atos repetitivos, dentre outros o de comer e trabalhar demais e usar a internet. São compulsões da modernidade e marcam o cotidiano do Século XXI.
Quanta besteira. Tecer minhas próprias narrativas, expondo valores impregnados de sonhos, expectativas, riscos, rabiscos e até frustrações. Traço os fios de uma vida que se liga metaforicamente ao último fio de narrativas comportamentais e de temperamento localizadas num outro tempo, bem lá na frente. Mas sem qualquer rancor flagelando uma história de flashes azuis da paixão pela vida. Será que na verdade há momentos em que o melhor que pode acontecer é o esquecimento de qualquer lembrança? Das distâncias percorridas, um caminho novo. Como um demônio enjaulado que se rebela, a ira nos deixa mais feios por dentro e, inclusive, reflete-se em nosso corpo. Se eu estou frustrado? Ainda não e falta muito para lá chegar. Sei que estabelecer metas reais é a melhor maneira de lidar com as frustrações que acontecem na vida. A esperança é a última que morre, diz o velho e surradíssimo ditado. Pode até ser verdade – quem sabe? - , mas é quase certo que morro um pouco quando meus sonhos evaporam. Sou da mesma matéria de que são feitos meus sonhos.

 

4/26/2009

Só sei que nada sei

Se o Platão plagiou Sócrates, eu posso muito bem copiar o que disse o primeiro e dizer que só sei o que nada sei. E mais, que só conheço a minha própria ignorância, também plagiando outro plagiador.


O mundo está ficando cada vez mais louco
Basta muito pouco prá eu ficar também
Ninguém se entende
Ninguém mais pensa
Nas coisas tão boas que existem na gente
Eu só sei que não sei de nada
Então nada de levar nada a sério
Viver sem mistério e viver feliz
Escrever aqui é um ato solitário, quase loucura
Eu conheço a minha ignorância
A grande culpa é falar e escrever demais.
 
4/14/2009

Terapia

Oba. Já é quarta-feira. Foi muito difícil passar pela segunda e terça sem ver meu analista.  Afinal de Contas é o nome dele. Ainda bem que hoje, agora, 00h47, estou em plena sessão. Alívio. Fiquei viciado na terapia pública, o que é pior. Pelo menos consigo não assistir as séries idiotas que a televisão a cabo costuma mostrar e nem aos vídeos medíocres da MTV e do Multishow. Exceção para SVU que gosto de assistir. Só pela Mariska Hargitay já vale a pena. Pena mesmo é que a porcaria do canal passa sucessivamente cinco minutos do seriado e outros cinco minutos de propagandas. Putz. Pensando bem, eu pago a Net para assistir aos comerciais. Como não tenho dia fixo para a análise, me iludo e penso que já estou quase curado em franca serenidade. Doce ilusão. Sem vergonha, já estou praticando sessões curtas e esporádicas para o meu gosto. Preciso de mais. Se eu não fosse contra trocadilhos infames, diria que quando desistir do blog vou precisar de terapia de verdade para me conformar com a perda. Não vai ser fácil.

 

4/8/2009

Sou apenas eu

Existem alguns textos com os quais me identifico ou nos quais identifico pessoas. O “Poema em Linha Reta” de Fernando Pessoa é um exemplo.  Não que  me enquadre totalmente nas mazelas citadas nos versos. Em algumas é certo que lá eu esteja. Mas sou só eu? Verdades tão óbvias que soam ridículas. Pois que não é de fato? Atento para o absurdo real da existência de tantas pessoas fingidas, e vejo que é isso mesmo.

"Espanto-me, cabisbaixo, com a vilania que nos assalta e num ''minha culpa, minha máxima culpa'', sou retratado sem ''meios termos''... rindo-me, felizmente, do retrato que ouço, retrato meu, e de tantos que olham mais para fora que para dentro.." Divido minha entrega aqui no Querido Diário.

E continua,  dizendo: “Eu nunca conheci quem tivesse levado porrada”. Em seguida desenvolve o tema e se expressa: ele se sente único, ele se sente singular, ao comparar-se com todos os outros, com aqueles que conhece, que têm sido campeões em tudo e irrita-se com o fato de se ver cercado, como ele diz – “por príncipes” e “semideuses”.  E parece-lhe – ele diz isso no poema – que mesmo quando falam, quando se confessam, em momentos de abertura, quando comentam seus erros, explicitam seus equívocos, eles se protegem, na verdade, de qualquer desmoralização. Podem, eventualmente, confessar pequenos erros, mas silenciam sempre a respeito de quaisquer imbecilidades que tenham cometido. Relatam atos de coragem e violência, mas se calam sobre suas reações de covardia.

Então o Poeta reclama: "Toda a gente que eu conheço e que fala comigo nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho.”

E aí a gente começa a notar que há um certo tom ambíguo no poema que é ou um tom de sarcasmo, de ironia, de provocação, ou de sinceridade lamentosa.

E ele indaga: “Como posso eu falar com meus superiores sem titubear?”. E se sente posto numa posição que contrasta com a posição desses seres ideais. Ele se colocando no plano da experiência real, vivida, e os outros se colocando no plano de uma experiência idealizada. Define-se: “Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo, que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas, que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante, que tenho sofrido enxovalhos e calado...”

E depois se pergunta, ainda mais uma vez, dramática e ironicamente:

“Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?”

Eu novamente citando Pessoa. Fazer o quê?


Li em algum lugar alguém ter percebido que não valeu à pena a correria para ganhar dinheiro e não usufruir; que o tempo passou e o cansaço tomou conta do seu corpo; que rodeada de muita gente se sentia só; que não valeu a pena os anos sem férias, sem descanso; e agora, sem ilusões e sem esperanças, sentia que passou pela vida e não viveu. Freqüentou o mundo sem saber por que, rodou, rodou, rodou, e não saiu do lugar. Pensou que foi, mas ficou. Teve tudo e não sentiu nada.  Por isso penso que é hora de sorrir, de amar, de ser da família, de misturar-se com as crianças e dar a mão ao próximo. Antes que seja tarde demais. Feliz, apesar das limitações e é bom parar por aqui e dormir.

 

Copiando meus plágios

Mas foste tu quem escreveu? Detesto a dúvida. Poderiam trocar pela afirmação: "Tá bom demais, não foi tu quem escreveu!"

O deselegante certamente já tem a sua resposta e qualquer coisa que eu diga não fará diferença. Se responder sim, duvidará e dirá (em pensamento) que é uma porcaria. Se a resposta for não, dirá (também em pensamento), que já sabia.

Aos tais chatos a minha resposta é sempre “não”. Até uso pseudônimo em alguns textos, remeto a lugar algum citando uma fonte fictícia. Só para zoar, na mesma moeda, também em pensamento. Basta ter lido Guareschi para saber se sou eu mesmo o autor. E ainda falam em bibliografia. É só o que me falta! Eu nunca me importei que copiassem descaradamente meus textos. Cortar, copiar e colar compôem um paradigma na moderna interação homem-computador. Efeitos da tecnologia.Prevalece uma noção confusa de originalidade, e tudo o que não é original, ou melhor, o que é diferente e autêntico,  acaba taxado de plágio ou cópia. É certo que na internet o plágio campeia, seja no estilo, seja em textos inteiros. Tenho certeza que se buscar as teses de muitos doutores de nomeada para ler, logo, logo descubro que o Google já as conhecia. E daí esta chusma de imaturos e semiletrados, sem o mínimo poder de reflexão e com a cabeça cheia de coisas decoradas, dão palpites furados e pisam na jaca.

Tudo bem, que pensem que sou totalmente maluco e não tenho nada melhor para fazer que ficar fofocando, reclamar da vida e escrever baboseiras na madrugada. Pois eu tenho sim; as estrelas, a lua e os discos voadores para observar da janela do meu pequeno quarto que serve como web space ou sonhar do alto das montanhas; apreciando o mar em sua imensidão. Tenho fome de comida e este regime idiota que não me deixa comer. Tenho um montão de filmes gravados para assistir e não assisto nunca. Tenho outros tantos para gravar e não gravo nunca. Na realidade tudo isso é matação de tempo. Miríades de miríades de leituras me esperam e não leio nada que preste. Tenho páginas e páginas para escrever e não escrevo nada útil. Na verdade fico juntando letrinhas em palavras que formam textos bobos para uma Justiça sempre falha. Apanhei algum vírus que está me fazendo pensar. Espero pelo grande dia. O grande dia do arrebatamento que me levará ou para o vale dos prazeres eternos ou ao inferno do poço da dor sem fim. Neste momento, tanto faz, pois parece que Satanás em pessoa me espetou só para me deixar mais intrigado ainda.

Aqui e agora sou apenas um doido solitário, faminto, apoquentado e ansioso, viajando e meditando entre letras, palavras e frases perdidas. Não quero ser incomodado em minha meditação sem sentido. Nem quero perturbar as mentes alheias com mensagens desconexas.

Digo tudo e nada. Escrever é completamente fácil, quando se tem palavras em mente que expressem nossos sentimentos e idéias. Difícil é ser entendido, pois a escrita nem sempre expressa o que realmente quero dizer ou então interpretam o texto de outra maneira. A palavra escrita pode ser mortal.  Todo cuidado é pouco.  Mas Afinal de Contas, aqui escrevo para eu mesmo e por vezes não consigo me entender, que dirão os outros? Complicado, mas eu entendo e me entendo no Querido Diário.

 

Cuca Fresca

Eu sei que manter a “cuca fresca” diminui o risco de demência. Sei também que pessoas com dificuldades para dormir podem sofrer com pensamentos paranóicos. Seguindo tal ordem de raciocínio e considerando duas premissas, a primeira a de que não sou resistente ao estresse, aos congestionamentos, pressões no trabalho e outras adversidades do dia-a-dia e, a segunda, que não tenho dificuldades para dormir o sono dos justos; concluo que apenas minha demência tem uma possível causa. Mas então, qual a origem dos meus pensamentos paranóicos? Não é bem aquela paranóia clássica, com o medo exagerado de que outros tentem me ferir ou perturbar. Mas percebo algo vagamente maldoso na ação de algumas pessoas, semelhante à burrice, que me irrita profundamente. Concatenando as idéias, talvez daí decorram meus delírios persecutórios ou paranóia bem fundamentada. Corram, corram até chegar a lugar nenhum.

 

Língua de Trapo

Retomando a escrita. A fofoca é uma conversa informal e geralmente distorcida sobre a vida alheia. Coisa de quem não tem conteúdo para conversar e não tem o que fazer exatamente como eu nesse momento. Gente fina e educada não faz futrica nem arma barracos. Mas no íntimo mesmo arregalam os olhos e abrem bem os ouvidos quando percebem que há um cheiro de fuxico no ar. Para mim é evidente que as mulheres são mais fofoqueiras que os homens. O interesse em observar a vida alheia é antigo e nossos ancestrais descobriram como era importante conhecer os pontos fracos dos adversários. Os Poderosos e os inteligentes, também encontram prazer em fofocar; alguns deles, movidos por um dos sete pecados capitais, a inveja. Aos fofoqueiros de plantão, informo que a minha vida é um blog aberto. Está tudo aqui, portanto, não percam seu tempo.

 

4/2/2009

Vontade de não fazer nada no fundo da caverna

Quem disse que devo estar sempre alerta? Hoje acordei com vontade de não fazer nada. Meu final de semana passada foi assim, assim. A semana que graças a Deus finda hoje, foi meia boca. Chatos que nada oferecem e tudo exigem. Finlândia, Islândia. Nova Zelândia, Dinamarca, Noruega: ainda vou morar nestas terras. Temperaturas amenas, gente educada, sem favela, sem los miserables. Não questiono mais os porquês de tudo. Vou apenas esperar a alegria florescer novamente e eu me entusiasmar por algo que valha a pena. Pronto! É só colocar um videozinho mixuruca aqui e já tranca tudo. Estou numa fase não muito criativa revendo meus conceitos, escritos e pensamentos. Acho que o post está péssimo e, como eu, totalmente fora de contexto. Na verdade sou carente, preciso de estímulos e atenção como todo mundo. Por que nunca me tiraram para dançar? Quem sabe um dia surja no meu caminho alguém com mais coragem que eu e desperte meus  sonhos de juventude.  Melhor ficar quieto no fundo da caverna. Por enquanto, cautelosamente, vou dar um tempo no Querido Diário,  entrar em introspecção e ouvir música Gospel. 

 

3/31/2009

Meus Oito Anos

Nada digno de ser registrado. Meu dia foi enfadonho. Repito um registro e resolvi mais uma questão perturbadora, já que na verdade nem estou com vontade de escrever hoje. Daí lembrei-me de uma entrevista do Paulo Autran que assisti na televisão. Nela tem uma declamação muito bacana  com  interpretação que emociona com certa tristeza. Se não o retirarem do Youtube, ele fica por aqui para eu ouvi-lo quando tiver vontade. Poema Meus Oito Anos de Casimiro de Abreu.    

    


Meus Oito Anos

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

Como são belos os dias
Do despontar da existência!
— Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é — lago sereno,
O céu — um manto azulado,
O mundo — um sonho dourado,
A vida — um hino d'amor!

Que aurora, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d'estrelas,
A terra de aromas cheia
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!
 

Oh! dias da minha infância!
Oh! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minhã irmã!

 

 

Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Da camisa aberta o peito,
— Pés descalços, braços nus —
Correndo pelas campinas
A roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!

Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo.
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!

................................

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
— Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
A sombra das bananeiras
Debaixo dos laranjais!

Casimiro de Abreu (1830-1860)

O Autor Casimiro de Abreu (1830-1860)

 

3/30/2009

Pôr-do-Sol

Aqui e lá as imagens escolhidas para o perfil retratam o Pôr-do-Sol no Rio Guaiba, em Porto Alegre, cidade onde resido. Aqui é aqui. O Afinal de Contas, o Meu Querido Diário, como gosto de chamá-lo, para falar do dia-a-dia, compartilhar pensamentos e exibir álbuns de fotos, vídeos e arquivos pessoais, e ao qual me afeiçoei sabe-se lá por que motivo. Besteira para muitos, não para eu, cara pálida. Tanto escrevi que estou até repetindo alguns textos, só para arrumar o que faltava no Blog.

Lá é a nova página: “Estudos Legais”, nome que achei apropriado, hospedada também no spaces live, claro, ele ainda é grátis. O objetivo é apenas disponibilizar alguns textos e trabalhos profissionais. Por via das dúvidas, descargo de consciência e existência de viabilidade técnica registrei e hospedei o domínio. Quem sabe algum dia navegue por outros mares mais sérios e que valorizem meus escritos, se é que valem alguma coisa.

Aqui e agora, por enquanto, é tudo, absolutamente tudo, sem pretensões. Talvez os interesses dos dois blogs, basicamente sejam os mesmos: compartilhar o dia-a-dia, trocar idéias, escrever sobre nada e outras coisas das quais eu gosto, exatamente pela possibilidade de contar as minhas historinhas, dizer o que penso, bobagens e sempre aprender e melhorar um pouquinho mais como pessoa.

E tanto fiz e fiz que realmente acabei arrumando “sarna pra me coçar”. Não bastasse o trabalho diário como advogado, lá fui eu inventar em ser professor e, para pasmo dos fantasmas que visitam o Blog,  - e fantasma fica pasmo? Deve ficar, "Afinal de Contas" deselegantemente deleto os seus scraps fantasmagóricos. Deixa

eu respirar com uma vírgula, tudo para dizer que virei aluno, isto mesmo, aluno num curso de especialização cujo nome e exigências são do tamanho de um bonde.


Ah! O doce Pôr-do-Sol! É como se o Astro naufragasse aos poucos nas águas, de modo terno, envolto em nuvens que mudam de cores e brincam de esconde-esconde entre os últimos raios reluzentes. É um convite às reflexões mais demoradas num entardecer que eu desejava fosse infinito.

Mas por que raios eu não vou curtir meu merecido futuro descanso e aposentadoria, quietinho no meu canto?

 

Eu e o Transtorno Obsessivo Compulsivo

Para cada coisa que acredito saber, dou-me conta de nove que ignoro. Incerteza, talvez fruto do transtorno afetivo bipolar  de uma personalidade movida a TOC. Vou meio sem rumo definido nesta fase blogueira. Não sei bem por que estou aqui e onde vai parar isto tudo. Quem se diverte não tem tempo para envelhecer e ficar rabugento. Escrevendo e postando o lugar comum, faço terapia e aprendo uma porção de coisas. Parece que devagar estou a divagar o produto do meu espírito e nas divagações da minha loucura haverá, por vezes, alguma sensatez. Parafraseando o Raulzito, a verdade é que o caminho que escolhi é fácil seguir, exatamente por não ter aonde ir. Milionégima mudança da página em que registro sonhos e caprichos da imaginação. Tudo o que é demais sobra, tudo o que sobra é resto e tudo o que é resto vai para o lixo. Então mudei de idéia, o que não é tão ruim. Ruim mesmo seria se não tivesse idéia alguma para mudar. Não sou mais rigoroso, pois brincar é condição fundamental para ser sério. Toc... toc... toc... É muito solitário estar sempre certo.
 
3/29/2009

Tem dias que a gente se sente

Engraçado, quando comecei esse Blog anos atrás não tinha nenhum objetivo em mente. Na realidade eu estava num período de ociosidade, de saco cheio de não fazer nada num sábado ou domingo. Pimba! Ocorreu-me a idéia.  Agora vejo tantos registros aí nos arquivos, releio o que escrevi, tudo sem proposta alguma, sem nada, apenas besteiras e mais besteiras escritas aleatoriamente para passar o tempo. Aliás, agora lembrei, eu procurava o filme The Blob - A Bolha Assassina  para baixar e assistir. Aquele filme antigo... pura bobagem... mas que tive vontade de ver novamente.  De Blob para Blog foi só um passo. Daí, conversa com um, conversa com outro. Deixa pra lá.

Como eu disse num outro post: "Mas tu não tem um Blog?" Como se isto fosse fundamental para o desenvolvimento da raça humana no próximo milênio. Ah! Lembrei mais uma coisa: estava estudando as maravilhas da informática, meu atual hobby, e da internet e quis fazer a tal página. Para inveja de quem desdenhava e duvidava. Tenho agora um Blog! Mas passaram-se três anos e continuo sem objetivo algum definido. 

Será medo da exposição pública? Não. Já passei desta fase. E de mais a mais a minha vida é um livro (ou Blog) aberto. Esconder o que e de quem? Estou pouco me lixando. Fotos nossas e mais divagações eu acrescentei.

Saites e livros que acho interessantes.  Um pouco do Raulzito. Coisas bobas. Mais fotos e imagens, pois vídeos não deixei no público. Teve uma época que coloquei até um canal de tevê transmitindo rock via streaming. Como se alguém fosse assistir. Até comentários eu tirei em vista da inutilidade do espaço. E depois o pessoal aqui de casa não está nem aí para a página e acha pura perda de tempo eu desperdiçar meus finos dotes literários escrevendo besteirol. Qualquer hora eu me vingo e tiro as fotos deles daqui. Huá! Huá! A risada do Back Pete que continua sendo meu favorito. Deve ser mais ou menos parecido com o tal do Orkut. Até agora eu não descobri para o que ele serve. De qualquer forma estou lá também não sei bem o por quê. Acho que é por causa das comunidades em que participo: Raul Seixas, Sociologia, Egiptologia, História. Coisas assim. Me comunico por telefone, pelo MSN a noite ou por e-mail. Bahhhh... então objetivo eu não tenho nenhum. Mas parece que meia dúzia de malucos por alguma razão que desconheço acessam a página.  Legal querer saber o que rola comigo, xeretar a minha vida, muito embora eu nunca conte nada e até acho tudo meio monótono e repetitivo e nem tenho escrito ultimamente. Não quero ir de encontro ao azar. Bom né? O título do post de hoje não poderia ser mais sugestivo. Deriva da letra de uma música do Rauzito que tenho ouvido exaustivamente em pensamentos:


"Tem dias que a gente se sente 
Um pouco, talvez, menos gente 
Um dia daqueles sem graça       
De chuva cair na vidraça
Um dia qualquer sem pensar      
Sentindo o futuro no ar  
O ar, carregado sutil      
Um dia de maio ou abril 
Sem qualquer amigo do lado      
Sozinho em silêncio calado       
Com uma pergunta na alma       
Por que nessa tarde tão calma   
O tempo parece parado?"

 

3/22/2009

Limpeza no MSN

Fiz uma uma limpeza no  MSN ou Windows Live Messenger como chamam atualmente. Tirei todos que nunca aparecem. Ficaram poucos. Os necessários. Os que eu deletei estão sempre no status ausentes ou invisíveis, como se diz. Acho tudo mentira, vagais que nada tem a fazer. Ou seja, não querem ser incomodados ou estao falando com outra pessoa e então se classificam como "ocupado", "volto logo", "em ligação", "em hora de almoço" ou simplesmente "offline." Ou seja, o fundo do poço da falta de educação. Se quiserem me chamam. O que as pessoas não entendem no sistema de mensagens instantâneas deste tipo é que se não querem escrever ou responder, não escrevam e não respondam. Sempre foi esta a regra, sempre foi assim desde os tempos do PowWow, um dos primeiros programas de mensagens instantâneas da Internet, logo seguido pelo ICQ que foi febre poucos anos atrás. Outra coisa é que só uso o endereço do Live messenger  alceurubatino@hotmail.com. Que bando de babacas. Não é preciso ficar oculto, mas cada um, cada um.
 

Serenidade já

A gente vai lendo aqui e ali. Ouve algo acolá. Exaspera-se, xinga, grita...

A calma, o sossego, a paz e a tranqüilidade da mente. O equilíbrio emocional. A ausência de perturbação. O sangue frio e o domínio de si mesmo.

Tudo o que me falta.

Talvez a melhor definição fosse  “a capacidade de viver em paz com os problemas não resolvidos". A “Oração da Serenidade” fala em “aceitar as coisas que não podemos modificar”.

Tento não confundir  aceitação com  concordância. Nem sempre concordo, ou gosto como as coisas acontecem ou são conduzidas a minha volta. Tenho este direito. Como qualquer pessoa tenho o direito de escolher meus gostos e opiniões. E também sei que tenho a obrigação de respeitar e aceitar o meu semelhante como ele é; como ele  sente e pensa diferente.

Mas como é difícil. Em alguns momentos é possível que seja verdade que estou coerente e absolutamente certo em minhas posições, mas quase sempre isto contribui pouco ou nada para mudar a realidade a minha volta.

O que fazer então? Entregar-me a sentimentos oriundos da contrariedade, como a raiva, o ressentimento e a revolta e a sentimentos de revanchismo e vingança?

É aí que tenho que lançar mão da “Oração da Serenidade”. Talvez de tanto repeti-la eu consiga a tão sonhada serenidade. Quem sabe até pelo desligamento emocional dos fatos, coisas e pessoas que não posso modificar.

Mas preciso de compreender que a aceitação não é indiferença. A indiferença não me permite fazer a distinção entre as coisas que podem e as que não podem ser mudadas, pois paralisa a minha iniciativa. A aceitação deve liberar a iniciativa, aliviando-a das "cargas impossíveis", transferindo o foco da ação para o "possível". A aceitação é um ato de livre arbítrio, mas, para ser eficaz, requer a coragem moral de se persistir apesar do problema imutável. A aceitação liberta o aceitante, rompendo-lhe as cadeias da auto-piedade.

Uma vez que eu definitivamente aceite o que não posso modificar, estarei livre para me dedicar a novas emoções e atividades.

Foi dito por alguém que uma mente imatura procura um mundo idealístico. Meu Deus! A minha imaturidade é então astronômica. Vivo em Utopia.

Queira ou não, preciso definitivamente  encarar o mundo da realidade e aceitar a vida e as pessoas como elas são, com todas as suas crueldades e inconsistências.

Talvez, em última análise, o inicio da sabedoria esteja na simples admissão de que as coisas nem sempre são como queria que fossem. E que eu mesmo sou totalmente imperfeito, errado e não tão bondoso como penso e gostaria de ser.         


Concedei-nos Senhor

a Serenidade necessária,

para Aceitar as coisas não podemos modificar;

Coragem para modificar aquelas que podemos;

e Sabedoria para distinguir umas das outras.”

Arrumando sarna para me coçar

Onde estou amarrando meu burro? Um ditado popular simples, direto e verdadeiro. Nunca aprendo e procuro ajudar aos outros, e como quem vê cara não vê coração, as sarnas aparecem. Nossa e como! O que mais faço é me comprometer e depois me arrependo completamente. Sou mestre nisso. Cadê, cadê minha bendita intuição? Cara pálida, mim estar arrumando sarna pra me coçar. Mas mim nunca se arrepender. Deverá aparecer, como sempre, alguma alma bondosa e nobre que me dê ajuda. Recorro, de qualquer forma, ao meu Santo Antão, meu Santo Ignácio de Loyola, meu Bondoso Padre Reus, meus três preferidos, cujas fotos mais bonitas que encontrei na rede enfeitam o final do registro. O primeiro por ter ensinado a arte da renúncia; o segundo por ensinar a disciplina do corpo e da mente e o terceiro pelo exemplo de humildade e sublime contemplação. Please, como sempre me auxiliem neste momento tirano.

Acabei de pensar uma coisa e esqueci. Uma ligação telefônica que precisava fazer? Alguma pendência a cumprir esquecida numa das gavetas? Ah! Lembrei. Como sempre era alguém precisando de orientações e ajuda jurídica. Tinha prometido dar uma resposta e não cumpri a promessa. Ou melhor, empurrei a solução para adiante com auxílio da grande barriga. Pronto, missão cumprida. Tenho um montão de outras coisas para fazer no trabalho, mas cadê a vontade, o ânimo?

Também fico inventando coisas. Submeto-me a fazer mais do que é necessário ou mais do que posso fazer. Será que não existe um curso de especialização que ensine a gente a não fazer o que não quer ou a dizer não com desfaçatez e facilidade? Às vezes tenho uma dificuldade para dizer um simples não. Não é medo, que a única coisa que me mete medo é marimbondo. Até o trauma das alturas eu superei na viagem à Israel. Sei lá, é um defeito de constituição ou de formação, vem lá da infância, deve estar em meu DNA. É algo da índole, da personalidade, de querer ajudar, de ser do bem e prestativo, fato que as pessoas espertalhonas acabam percebendo e se utilizam inescrupulosamente.

Deveria agir como os outros e fazer apenas o estritamente necessário e fundamental. Mas não, sempre acabo querendo fazer mais e melhor.

Qualquer hora eu chuto o balde, chuto mesmo. Mando todos e tudo à merda e então, aliviado com a renovação carismática da alma e com bramidos, ofensas diabólicas e ações concretas de revide, pura vingança e independência, deixarei o campo de batalha tranquilamente. E que o Poder Superior, que é Deus na minha concepção, resolva a arruaça feita, empilhe, enterre em vala comum ou queime os corpos dos vencidos, pois certamente não serei eu a fazê-lo. E os bons saiam de perto quando tal acontecer, pois será como a invasão dos Hunos: violenta, ávida por escaramuças e pilhagens ou, pior, será o próprio Armagedom, com muitas cabeçorras partidas no barraco armado o que me motiva e é muito tentador. Não duvidem os céticos da minha insanidade, por enquanto sob controle de muita reza, das sessões de descarrego e dos inseparáveis ansiolíticos.


Quando eu estiver triste simplesmente me abrace.

Quando eu estiver louco subitamente se afaste.

E quando eu estiver bobo sutilmente disfarce.

A gente pra viver bem neste mundo,

tem que ser inteligente.

Macaco velho não bota a mão na cumbuca.

Não se cutuca a onça com vara curta.

Tome cuidado com este mundo louco,

Todo cuidado com este mundo louco

Eu tenho que ouvir

Eu preciso ouvir e ouvir e aceitar


Não penso mais em desistir de verdade em aqui escrever. Dane-se o mundo. Olho para frente olho para trás, olho para os lados olho para dentro. Se escrever errado, escrevo outra vez e outra vez, ou então deixo errado mesmo. Esqueço o passado, as ofensas, pois não consigo guardar rancor por mais de dois ou três dias. Antes, tenho orgulho de tudo e, como já disse não me arrependo de ajudar aos que me cercam, ainda que muitas e muitas vezes, termine coçando sozinho as sarnas que tanto me incomodam. Olho para baixo e é com imensa satisfação pessoal que observo não ter pisado em ninguém.


Páginas novas no ar. Agora sim, um nome bem legal (eu pelo menos achei) com domínio próprio, hospedagem paga e tudo mais. Fiz aqui no spaces também, Afinal de Contas é grátis, embora seja pouco funcional. A nova página quero que seja voltada para o lado mais profissional, embora queira falar também de ética, de religiões, de sociologia, história e outros assuntos que me fascinam. Talvez sirva a minha nova sina ou cisma de lecionar. Sim, tanto fiz, fui de Seca para Meca e terminei por me transformar em aluno e ao mesmo tempo professor. Vamos ver no que vai dar. Eu não disse que arrumava sarna para me coçar? São novidades e adoto a teoria que o que é novo é bom. Pelo menos a gente sai da mesmice e se não for tão bom assim, fica como está, o que já é muito bom. Então nada a perder, principalmente porque as minhas colegas de curso serão a Sônia e a Caroline, já que conseguiu convencê-las a me acompanhar na empreitada. Duro mesmo vai ser encarar lecionar a noite, mas também, quem mandou eu nascer pobre? Putz. E não é que os idiotas explodiram um carro num shopping lá em Haifa, onde a Alice está morando e onde passamos as férias? Eu até passei pelo tal shopping. Ainda bem que ninguém se feriu. Gente maluca estes terroristas árabes.

  

Como tudo começou: A Bolha Assassina - The Blob (mais no início ainda)

É trash. É besteirol. Mas eu gosto de filmes bobocas uma vez ou outra. Teve uma versão em 1958 e uma refilmagem em 1988. Na história um pequeno meteoro cai na terra e um fazendeiro descobre uma bolha gosmenta dentro dele. Ela tem aspecto de geléia de mocotó e gruda em seu braço feito cola. Aos poucos, a bolha come todo o homem e cresce de tamanho. Seu apetite é voraz. A bolha engole um médico, uma enfermeira, um mecânico, um dono de supermercado e um projetista de cinema. O pânico toma conta da cidadezinha. Até que o jovem Steve Andrews (Steve MacQueen em seu primeiro papel de destaque) e sua namora, Jane, descobrirem que bolha não suporta temperaturas frias. A cidade inteira traz extintores de incêndio e dispara jatos de gás carbônico para congelar a ameaça extraterrestre. Bem, é a primeira postagem e, como todos os futuros registros, em dado momento poderá ter conexão com novos comentários que farei ao longo do tempo, se a paciência e a minha inexperiência permitirem que o Blog continue, é claro.

 

Habemus Blog (O Início)

Este foi logo no ínicio. - Tu não tens um Blog???? A pergunta em tom de surpresa fez com que eu me sentisse nu no meio da multidão. CPF, RG, e-mail, senhas e mais o escambau eu tinha, mas Blog não. Logo veio a idéia de chiclé. Acho que tinha um chiclé com esse nome quando eu era criança.

Lembrei também daquele filme antigo, "The Blob - A Bolha Assassina". Filme boboca mas muito legal. Fiz até um "post". Está aqui, é o primeiro.

Por ser absolutamente neófito nestas modernidades "internéticas", o jeito foi estudar informática e aprender direitinho para não ficar um 50tão por fora.

Já chega me chamarem de anti-social. Quem sabe é por causa desse meu jeito introspectivo, um pouco tímido e avesso às badalações. Mas também eu li em algum lugar que é bom procurar aprender ou estudar algo diferente para ocupar o tempo. Como eu não tenho mais pescado, ocupo o tempo vago em aprender informática e navegar na Internet.

O regime forçado me obriga a ocupar a mente e, assim, não fico pensando em comida e não abro o refrigerador. Estou me mexendo. E lá se foram 26 quilos já. Um garotão de 50, com corpinho de 25. Um pouco careca, meio maluco, carpinteiro do universo, sempre "durango" como o Pato Donald mas com um "Blog"!.

- Sim, habemos Blog! Se não pode vencê-los, una-se a eles! Perder peso, praticar atividade física, deixar de ser ranzinza e anti-social.

Rio de Janeiro, lá vamos nós.

Mente aberta às transformações. Está aí o Blog. Viva a exposição pública! Ou se não me escutam, quem sabe me leiam?! Vai ver é algo mais ou menos parecido com uma pendrive. Sim eu tenho também tenho uma pendrive! E tenho um disco virtual. E um álbum de fotos. E e-mail protegido. Tudo pago. Para que tudo isto? Não faço a mínima idéia. A pendrive e o disco virtual não uso. O álbum de fotos está lá esquecido e nem e-mail com vírus recebo. Está feito. Vamos ver se é possível conhecer e compartilhar coisas boas com gente diferente, interessante e de bem com a vida. Estas e outras coisas vou deixando por aqui: Viver e deixar viver respeitando a maneira de ser de cada pessoa, pois parece que este é um dos segredos para viver bem.

 

 
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